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Quando o menino vem me dar a mão!

2 de Maio de 2018

Depois de uma período sabático, retomo minhas atividades digitais, meu blog e redes sociais, nesse dia 2 de maio. Isso porque essa data é muito especial para mim!

Hoje completo 35 anos… não, não é só de vida.

São 35 anos de profissão. São 35 anos daquilo que sei fazer de melhor: escrever e contar histórias.

Ah, me desculpe.

Para os que não me conhecem, deixe-me apresentar: sou Jair Italiani, jornalista.

O que vem depois, é depois… Claro.

Um resumão de tudo: nasci numa família humilde e sem grandes perspectivas de alçar qualquer tipo de voo, além do voo de uma galinha! Talvez um bom operário, um bom mecânico… quem sabe um ajudante de qualquer coisa. Um mecânico. Comecei a trabalhar com 11 anos. Mas pelas minhas origens, como já disse uma amiga, fui muito além da expectativa de vida!

Instintivamente fui rebelde em aceitar que nasci para ser uma pessoa com um “bom ofício”, como ouvia sempre da minha avó paterna.  Não tinha noção do quê, mas esse “ofício” não me agradava ouvir. Me parecia algo muito simples. E esse modo de pensar desde criança, em contraponto aos adultos ao meu redor me colocou numa posição muito difícil e constantemente penalizado e abusado emocionalmente por isso.

Hoje penso, estava anos luz à frente dos meus pais e de boa parte dos que me rodeavam naquele momento. Eu queria decolar. Como os aviões que meu avô Zé Maria me levava para ver no aeroporto de Viracopos ou mesmo os pequenos teco-teco no aeroclube de Itu onde ia com com meu pai e meu irmão Jamil nos finais de semana.

E não é à toa que Will e Penny Robson eram meus personagens favoritos na TV. Para mim sempre existiu um mundo paralelo entre o real e o virtual e nem tinham noção de quem era Max Planck e a física quântica. Mas trocadilhos e brincadeiras à parte…

Posso dizer sem errar que minha formação entre a infância e a juventude foi de um sofrimento emocional muito grande. Trilhei um caminho árduo no campo afetivo. E isso é apenas uma constatação!

Quando entrei para o Exército Brasileiro aos 19 anos conquistei meu primeiro espaço. Não que eu quisesse seguir carreira, mas foi meu divisor de águas.

Amadurecimento precoce e cumprir um objetivo. Lições aprendida à custa de muito sacrifício. Não precisava ser assim.

Mas era o que tinha naquele momento!

Missão cumprida.

Um ano depois a vida se revelava de novo voraz. Estava de volta ao mercado de trabalho sem perspectiva de algo que fizesse sentido para mim.

Foi numa dessas filas para tentar um emprego que me encontrei num dia qualquer de abril de 1983. Eu era o 26º para tentar uma vaga de “repórter” no jornal Periscópio.

Um grande jornal de uma gigantesca cidade, segundo Francisco Flaviano Almeida, ou simplesmente Simplício.

Na minha frente estava Amarildo Teixeira. Colega de escola e de Exército.

Quando vi o tamanho da fila e o sol estava quente, pensei: vou embora.

Mas, como o Amarildo era o último, resolvi ficar e bater papo. Nem sei quanto tempo passou, mas seguramente, muito mais de uma hora.

Chegou a minha vez. Um cara sério, cara fechada, sorumbático, me entrevistou. Era José Carlos Arruda, editor chefe do jornal – que mais tarde se tornou um grande amigo –.

Fez algumas perguntas de conhecimento geral e depois me pediu uma redação.

Me lembro que o tema foi diferente dos demais.

Algumas semanas mais tarde fui chamado para falar com ele. Quando me viu disparou uma frase que ecoa até hoje em minha mente: “vou contratar você, mas saiba que sua redação foi a pior coisa que já li na minha vida, mas você tem algo que nenhum outro que se candidatou a vaga tem, que é a alma de jornalista. Vou te ensinar a escrever.”

E lá se foram, entre idas e vindas do jornal, além de colaborações esporádicas quase trinta anos de aprendizado… só com o Zé!

Claro, fui buscar outros horizontes. Fui trabalhar em rádio. Aqui faço um parêntese para quem me incentivou a isso: Eduardo Balás, colega de redação do Periscópio e radialista feito. Ele sempre dizia “menino, você tem que fazer rádio, você tem cancha…” e eu jamais acreditei nisso, até precisar!

Outros grandes incentivadores meus foram Manoel Miranda e Jose de Arimatéia Prado, em Indaiatuba na Rádio Jornal. E lá fui eu para o rádio…

Sonho de menino, era trabalhar na Jovem Pan… e sem querer, estava eu no dia certo na hora certa, na cara do gol, com a bola nos pés e o goleiro do outro lado! Dentro do estúdio dessa rádio para fazer outra coisa, o encarregado de receber um candidato ao cargo de repórter me olha e diz: “você é o rapaz do teste”?

Sem titubear respondi que sim! Claro, sou eu.

Fiz o teste e fui contratado.

Depois, migrei para a assessoria de imprensa. Fui trabalhar com atendimento e cheguei a executivo de contas em agência de publicidade. Me apaixonei pelo marketing e finalmente pela televisão.

Mais uma vez, quando olhei para o mercado e percebi que havia algo mudando, me deparei com o tal mundo digital que estava se aflorando.

Nele imperava, e impera, meninos e meninas com pouco mais de 20 anos. Eu batendo meus 50 e poucos anos… cabelos brancos.

Não me esqueço de um primeiro congresso que participei do gênero, eu era um dos raros de cabelos brancos, os poucos que me restam, que estava presente. Tínhamos idade suficiente para ser pais de quase todos ali. Não me intimidei!

Me dediquei ao estudo desse processo. Fui a fundo. Hoje, justamente o que me faz diferente é isso: tenho uma bagagem de mais de 35 anos em todas as mídias convencionais e conhecimento do universo digital.

Isso me permite uma visão abrangente e coletiva do sistema de comunicação corporativa ou colaborativa, flexibilizando a linguagem e os recursos de forma a permitir ao meu cliente, um resultado mais competitivo e eficaz.

Não, isso não faz de mim um mágico. Isso, no meu tempo era com o Mandrake.

Tudo tem que ser feito de forma planejada e estudada.

Como diria o meu próprio “mestre”, Zé Carlos Arruda, cheguei ao ponto de fazer doce sem açúcar… e olha que nem se cogitava na época, os derivados adoçantes de hoje em dia!

Então, quero propor um brinde aos meus 35 anos, de vida profissional.

E isso ao contrário do que se possa imaginar, não é, nem foi, uma estrada pavimentada e sem buracos. Significa uma resultante de erros, acertos, erros e acerto e erros e acertos…. Em alguns momentos, muito cá entre nós, quis entregar os pontos… e até hoje, às vezes, até fico meio paralisado diante de certas situações. Sabe por que? Porque é assim mesmo. Sou tão humano quanto você ou qualquer outro. Tem hora que o bicho pega. E pega pesado!

Nesses momentos, resgato do fundo da alma uma canção do Milton Nascimento e Fernando Brant, que quando a ouvi pela primeira vez, nem imaginava quão profunda e marcante em minha vida ela seria. Ela diz assim:

“Há um menino

Há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança

Ele vem pra me dar a mão”

Escrevo isso não como uma rompante qualquer, mas como modo de inspirar outras pessoas que como eu,  dão o melhor de si para os seus e querem o melhor para os outros…

Então… Um brinde a vida!

Um brinde a resiliência!!!

Aperte a minha mão!